Da Supergiant Games, a produtora americana que criou Bastion, Transistor e Pyre, chega-nos Hades, um título que, desde que foi revelado, mostrou que tinha tudo para elevar a fasquia, embora com algumas ideias retiradas dos trabalhos anteriores.

Disponível para Windows PC, Mac OS, Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One, PlayStation 5 e Xbox Series X, Hades é um roguelike típico, ou seja, um jogo com vários níveis gerados de forma procedural e (quase) aleatória, onde a morte é permanente.

No papel de Zagreu, filho de Hades e príncipe do reino dos mortos, a nossa missão passa por tentar escapar do submundo e chegar ao Olimpo, lutando contra as almas perdidas que tentarão deter-nos. Mas este será um caminho penoso, repleto de morte, principalmente a de Zagreu.

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Jogabilidade

Jogar Hades faz-nos, de certa forma, relembrar a sensação de jogar os clássicos do género dos anos 80/90, principalmente quando conseguimos atingir novos níveis pela primeira vez. Este é um jogo que nos “obriga” a estar constantemente em alerta e a pressionar convulsivamente vários botões de ataque e truques especiais… Mas não pode ser à toa! Na esperança de derrotar todos os inimigos e chegar ainda mais longe, há realmente uma necessidade de sincronizar todos os ataques com sucessivas esquivas. E quando achamos que estamos quase a alcançar um novo patamar, morremos e temos que começar tudo de novo – sem armas, atualizações e dinheiro recolhido.

Hades pode, de facto, causar algum desespero, mas felizmente não é tão sádico. Isto porque mesmo que tenhamos que recomeçar a partir do mar de sangue que banha a Casa de Hades após cada morte, não temos que começar totalmente do zero. Mesmo que a nossa prestação tenha sido horrível, geralmente levamos alguns objetos connosco para o sub-mundo.

Por exemplo, as chaves recolhidas permanecem connosco, e podem usadas para desbloquear novas armas e mais oportunidades de melhoria. As jóias e dinheiro também ficam no nosso inventário e podem ser usados quer na Casa de Hades para adquirir algumas vantagens, quer em alguns níveis que oferecem a oportunidade de adquirir itens. Outra coisa que permanece são os néctares laranja que podemos oferecer aos vários personagens que surgem durante a nossa jornada, e que fornecem vantagens específica desde o início de cada tentativa de fuga.

Uma das coisas mais importante que conseguimos manter são os cristais roxos, utilizados ​para tornar Zagreu permanentemente mais forte, como mais saúde, ataques básicos mais fortes, ou até a possibilidade de desafiar a morte.

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O caminho para a superfície está cheia de inimigos e “bosses” cruéis, que vamos enfrentar repetidamente, morte após cada morte, até desbloquear o próximo patamar. Graças às melhoria que podem ser mantidas,os confrontos vão se tornando mais fáceis a cada visita. No entanto, mesmo com mais poder de ataque, os diferentes inimigos exigem uma abordagem adequada a cada um deles.

Após a conclusão de cada nível, seguimos atravessando uma porta que destaca a vantagem que será a recompensa do próximo. Podem haver múltiplas escolhas, e as recompensas podem ir desde itens só aplicáveis nessa tentativa de fuga, como a expansão de saúde ou ações especiais aleatórias, ou recompensas que permanecem, como as chaves e os cristais.

A criação aleatória dos níveis em cada tentativa de fuga significa que não há duas rondas iguais. Passa por nós adaptar a estratégia a cada ronda e dificilmente temos sucesso que repetirmos os mesmos ataques. Isto faz com que as batalhas, cada vez mais intensas, pareçam constantemente frescas e emocionantes. O fato de cada uma das armas disponíveis ter propriedades básicas muito diferentes, dá um impulso extra às batalhas. Além disso, o boss de cada patamar tem um conjunto de ataques que vamos conhecendo morte após morte, mas a sua utilização é também aleatória, o que nos obriga, uma vez mais, a preparar uma boa estratégia e conjunto de vantagens para o derrotar.

Outro elemento que torna todas as mortes e “replays” bastante positivas são os personagens que Zagreu encontra ao longo da sua jornada. Uma galeria colorida de personagens baseados nos deuses, semideuses e outras celebridades da mitologia grega, ficará radiante por trocar algumas palavras com o príncipe do reino dos mortos. Estes encontros são importantes para a história de Hades, que adquire mais ênfase e significado à medida que avançamos.

História

A Supergiant Games já mostrou ter habilidade da cativar a atenção dos jogadores nos seus títulos anteriores, mas em Hades encontrou um equilíbrio admirável entre a natureza do género roguelike, que geralmente impede a narração e fluxo suave de um enredo, e a construção de um mundo vivo com história, evolução, profundidade e personagens.

Especialmente nos personagens, a produtora realizou um trabalho inesperadamente bom, recreando-os com imaginação e criatividade. A forma como o jogador os conhece, ou seja, através das discussões que surgem após cada ronda, contribui para um investimento emocional ainda mais orgânico e uma fácil identificação com cada um eles.

Gráficos e Som

Quanto aos visuais de Hades, é injusto dizer que o design deste jogo é simplesmente “bonito”. Não, não é apenas bonito, é majestoso! A paleta de cores varia, dependendo da profundidade do nível do inferno em que estamos, mas nos ambientes de Hades destacam-se as cores fortes e vibrantes que saltam à vista, algo que completa de forma genial toda a experiência proporcionada pela jogabilidade deste roguelike.

Menção especial para aos personagens criados com um nível de detalhe incrível. Houve realmente muito trabalho feito em termos de design, mas destacamos os fantásticos retratos dos NPCs, que surgem na parte inferior do ecrã durante os diálogos.

Em Hades, somos acompanhados por uma banda sonora e efeitos de áudio que também merecem seu próprio destaque. De acordo com o momento, quer seja ele mais suave ou intenso, a música vai adaptar-se para dar aquele impulso extra. Para além disso, cada ação é acompanhada de um efeito sonoro que se faz notar e que completa toda a experiência.

Conclusão

Depois de muitas horas a tentar escapar do sub-mundo, incluindo muitos momentos de desespero e frustração, só podemos dizer que Hades é realmente especial. A jogabilidade frenética e única ronda após ronda, combinada com os visuais extasiantes e trabalho de áudio bastante competente, são argumentos que fazem de Hades um jogo obrigatório, mesmo para quem não é fã de roguelikes!

 

Overall
9/10
9/10
  • Jogabilidade - 9.5/10
    9.5/10
  • Gráficos - 9.5/10
    9.5/10
  • Som - 9/10
    9/10
  • História - 8/10
    8/10

“um jogo obrigatório, mesmo para quem não é fã de roguelikes!”